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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Férias pra mim

Como quase todos os jovens, eu também acho que estudar não é a melhor coisa do mundo. Nada que um computador não possa substituir um livro? Pois bem, época de férias de inverno, adolescentes na maior agitação, não agüenta mais ir pra escola, não vê a hora de poder dormir até tarde sem preocupações. As crianças já estão em crise porque vão ficar quinze dias sem ver os professores, sem escrever nos cadernos e tal.
Bem, eu já estou em estado extremamente critico. Tipo, enquanto eu sofro para abrir meus olhos de manhã, eu vou jogando pra fora todo meu vocabulário negro, todas as palavras sujas que eu ouço durante o dia anterior.
Quem conversa comigo de manhã, deve achar que está falando com um zumbi. Por umas três horas, eu fico em estado inconsciente, eu mais ou menos não lembro de nada que ouço neste horário.
Minha tarde é o momento mais solitário do mundo, é nessas horas que eu coloco o papo em dia com a Julia e com o Jorge. Eu fico quase totalmente sozinha em casa, apenas com meu esquilo.
Mas, infelizmente é um momento que passa muito rápido, e quando eu vejo a tropa já chegou pra me levar á loucura. Meu irmão entra em casa como se tivesse acabado de pular o portão do hospício, deixando-me extremamente louca.
Aí é que eu penso, chega minha mãe, que pede um relatório completo de como foi meu dia, se recolhi as roupas do varal, se enxuguei a louça e tal.
Aí, eu penso. Quem seria o anormal que não gosta de férias? Quem seria o infeliz que chora porque precisa ficar em casa?
Sem duvida essas pessoas não tem amor á vida. Po, quem prefere fazer exercícios de matemática mais ou menos assim 108x + (b/2a) = - R[(b²-4ac) / 4a²] – 3¹²³/2abc³ do que ficar em casa dormindo?
Escola é um mal necessário na minha opinião, mas férias é férias. Semaninhas super tensas que não fazemos exatamente nada. Há quem prefira ficar bolando protestos, pra acabar com as férias, tendo pesadelos horríveis com a escola sendo demolida, dormindo sobre livros e blá blá blá.
Mas eu, enquanto isso, vou estar super preocupada decidindo se vou passar a manhã na piscina, ou se vou ir tomar um sorvete no shopping, que situação.

Seu Jorge

Não aguento mais minha rotina. É todo dia a mesma coisa: acordar cedo, ir pra escola, perder minha tarde no computador, tomar banho, e dormir. É sempre igual, e eu não aguento mais. O dia é longo, e eu acho que posso aproveitar mais, acho que devo aproveitar mais. Mas sabe, ando muito desmotivada, não tenho um porque de aumentar minhas atividades diárias, me sinto extremamente sozinha.
Não tenho alguém pra conversar, alguém pra me apoiar e isso esta me deixando doida.
A pia da cozinha passou a se chamar Julia, e o sofá chama-se Jorge.
Isso, até então não era problema pra mim, porque, afinal, todo mundo tem amigo imaginário e coisa e tal. Mas senti que a coisa tava feia quando passei a chorar quando descobri que a minha mãe vai trocar de sofá.
Isso mesmo, meu companheiro, meu amigo, fiel, parceiro de todas as tardes, será substituído. Aí eu penso, passo minha vida toda com Jorge, aí, de repente, eu descubro que ele será trocado por um Ricardão.
Pra quem não ta entendendo o meu sofrimento, é só pensar na sua própria vida. Quantas vezes somos trocados? Ou temos que nos acostumar longe de alguém? Aqueles que nos acompanham á anos, de uma hora pra outra temos que substituir.
Com certeza, eu nunca vou esquecer Jorge, por mais que agora ele será embrulhado numa lona preta e esquecido em um canto da nossa garagem, eu vou lembrar dele sempre.
Como ninguém o conhece, eu vou apresenta-lo. Jorge morava na casa da minha bisavó, quando eu ainda nem tinha nascido. Aí quando minha bisavó faleceu, ele foi pra casa da minha avó, e passou bons anos lá. E, por fim, á cerca de sete ou oito anos, Jorge passou a morar na minha casa. Ele já viajou muito, e agora, no momento que mais precisará de descanso, ele será esquecido e substituído. Isso me corta o coração.
Para os seres humanos, ele não passa de um sofá amarelo, mas para mim, ele é um companheiro.
As pessoas preferem valorizar um colega, ou um vizinho, que diz ser amigo, até que dá o bote. Preferem sempre o mais bonito, o mais poderoso, o mais rico. Mas, no final, sempre acabam perdendo. Será que ninguém da valor as pequenas coisas? Será que ninguém mais vê vida onde a mesma parece não existir?
Mas, os bons sempre vencem, e no final, as pessoas vão aprender a valorizar a coisa certa, e deixar de lado aquilo que não presta. Mas aí, pode ser tarde de mais.

Ei, isso é apenas ficção /ounão